segunda-feira, Setembro 08, 2008

EXCESSO DE PÊLOS




Excesso de pêlos

Conheça as causas e as formas de tratamento do hirsutismo, um problema que afecta uma em cada 20 mulheres
Mais do que um problema meramente estético, o hirsutismo pode ser uma manifestação de uma doença, geralmente do foro hormonal, pelo que justifica uma investigação sistemática pelo endocrinologista.

Para além dos seus aspectos físicos, implica ainda problemas psicológicos e de desconforto nas relações sociais, justificando-se o seu tratamento, muitas vezes em coordenação com o dermatologista.

O que é?

O hirsutismo é um problema crónico que se manifesta pelo crescimento excessivo de pêlos grossos e escuros na mulher em zonas do corpo onde normalmente surgem no homem (lábio superior, queixo, à volta dos mamilos, entre as mamas, abaixo do umbigo, região interna das coxas e nádegas).

Como se manifesta?

Dependendo do grau de hirsutismo (leve, moderado ou grave) para além do crescimento anormal dos pêlos, há, muitas vezes, outros sintomas associados, como pele oleosa, acne, cabelo fraco e oleoso, ciclos menstruais irregulares e redução da fertilidade.

Nos casos mais severos, estão também presentes sinais de masculinização: voz grossa, aumento da massa muscular, redução do tamanho das mamas, aumento do tamanho do clitóris e infertilidade.

Qual a sua causa?

Em 80% dos casos, o hirsutismo está relacionado com um excesso de produção de hormonas masculinas (androgénios) pelos ovários e/ou glândulas supra-renais, sendo a causa mais frequente desta hiperprodução de androgénios a síndrome do ovário policístico.

Outros mecanismos envolvidos nas causas do hirsutismo são:


Resposta exagerada do folículo piloso (estrutura que dá origem ao pêlo) a níveis normais de androgénios, de causa desconhecida (hereditária, na maior parte das vezes). Neste caso, falamos de hirsutismo idiopático.


Ingestão de medicamentos que podem estimular o crescimento dos pêlos (corticoesteróides e anabolizantes, por exemplo).


Em casos raros, pode ser uma manifestação de uma doença mais grave, como tumores (benignos ou malignos) dos ovários e das glândulas supra-renais. Ainda que rara, esta possibilidade deve ser sempre excluída pelo endocrinologista.

Quem afecta?

O hirsutismo atinge 5 a 8% da população feminina em idade fértil, o que significa que uma em cada 20 mulheres, entre a puberdade e os 50 anos, é hirsuta. Os dados são provenientes de estudos feitos maioritariamente nos EUA, mas os especialistas acreditam que a realidade portuguesa deverá ser semelhante ou superior.

Apesar ter uma incidência muito heterogénea, o hirsutismo é menos frequente nas mulheres asiáticas e africanas e, na Europa, as mediterrânicas são mais peludas que as nórdicas. Sabe-se ainda que existe uma relação do hirsutismo com a obesidade, embora não se conheça se de causa ou efeito.

«Nem todas as mulheres obesas são hirsutas e nem todas as hirsutas são obesas, mas há uma grande coincidência e sabemos que o emagrecimento contribui para a melhoria», explica Jorge Dores, endocrinologista no Hospital de Santo António, no Porto.

Tratamento:

Hirsutismo

Afecta uma em cada 20 mulheres. Saiba o que é e como tratar este problema
O tratamento do excesso de pelos passa pela investigação da causa que o provoca para definir a terapêutica a utilizar.

Quando a causa é o excesso de produção de hormonas masculinas pelos ovários, o tratamento é bastante simples: assenta na prescrição de uma pílula anticoncepcional com níveis de estrogénios ligeiramente mais elevados que nas pílulas mais recentes, associada a um prostagénio preferencialmente com acção anti-androgénica.

«Embora os resultados sejam relativamente lentos, são bastante satisfatórios, reduzindo o pêlo em 60% a 100%», assegura Jorge Dores. «O ciclo do crescimento do pêlo é extraordinariamente lento, pelo que os efeitos da terapêutica só se começarão a notar ao fim de aproximadamente seis meses», explica.

Se for um hirsutismo marcado e com sinais de masculinização, a terapêutica obrigará à combinação com outros fármacos que bloqueiam a acção periférica das hormonas masculinas. Nos casos mais raros, em que o hirsutismo é causado por um tumor (da supra-renal ou do ovário), o tratamento estará dependente de cirurgia.

O endocrinologista sublinha, no entanto, que esta é uma doença crónica e, como tal, não tem cura. «Quando se interrompe o tratamento, é normal que o hirsutismo regresse lentamente», refere. Daí que, após três meses de tratamento, seja recomendável consultar um dermatologista para iniciar a remoção de pêlos com laser.









Texto: Fernanda Soares

Revisão científica: Dr. Jorge Dores (endocrinologista no Hospital de Santo António, no Porto)




A responsabilidade editorial e científica desta informação é da revista P R E V E N I R

4 comentários:

CRIS disse...

Oi, querido Lumife...

Voltando, devagar.Não sabia essa informações todas. Que coisa!

Beijão.

RITA disse...

Obrigado pela ajuda..antes nem sabia que medico devia ir ...tenho de consultar o endócrinologista não é?já tinha ido ao dermatologista mas ele disse que era complicado nao a havia muito a fazer....e desisti de perguntar...em vezes escondia :/...ja agora conhece algum profissional com mais base neste assunto na zona do Algarve?
obrigado :)

Anónimo disse...

Conheço um endocronologista ,onde ando com a minha filha muito bom na avenida da républica , em lisboa,Dr.lopes fonseca

Unknown disse...

obrigado :´)