quinta-feira, junho 28, 2007

DOENÇA DE CROHN


Doença de Crohn: o que é?

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica do intestino de causa desconhecida.

O processo inflamatório pode atingir qualquer parte do aparelho digestivo. As localizações electivas são a parte terminal do intestino delgado (íleo) e o intestino grosso (cólon).

A inflamação atinge, geralmente, toda a espessura da parede intestinal e provoca úlceras (feridas) do seu revestimento interior.


Doença de Crohn: quais são os sintomas?

Um dos sintomas mais frequentes é a dor abdominal, que é, em geral, sentida à volta do umbigo ou do lado direito, muitas vezes depois das refeições.

A diarreia é outra manifestação clínica da doença, podendo as dejecções conter sangue e provocar anemia. A perda do apetite e o emagrecimento são frequentes e podem provocar nas crianças atraso no crescimento.

Na fase aguda podem, também, aparecer febre, dores articulares e, em alguns casos, doença perianal (abcessos).



Doença de Crohn: qual é a causa da doença?

A susceptibilidade à doença é determinada por factores genéticos. Com efeito, cerca de 10% dos doentes têm outro familiar próximo com a mesma doença.

Alguns factores do ambiente, tais como hábitos alimentares, consumo de tabaco e estilo de vida, podem ter importância causal.

Pensa-se que a interacção de elementos estranhos (antigénios, bactérias ou vírus) com o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo, pode causar o aparecimento e manutenção da lesão intestinal.

A tensão emocional pode, também, influenciar o curso da doença, desencadeando ou agravando as crises.

Verifica-se, portanto, a interacção de diversos factores na causa da doença.



Doença de Crohn: como é feito o diagnóstico?

Além da história clínica e do exame físico, os doentes são submetidos a exames laboratoriais (análises clínicas), a algumas técnicas de imagem (RX, endoscopia, ecografia, TAC, ressonância magnética) e, por vezes, à colheita de fragmentos de tecido intestinal para exame microscópico (biopsias, peça cirúrgica).

A observação do interior do cólon, através de um tubo flexível (sigmoidoscópio ou colonoscópio) permite avaliar a actividade e a extensão da inflamação.

As radiografias com bário, tanto do cólon (clister opaco) como da parte alta do aparelho digestivo (RX intestino delgado) permitem verificar anormalidades na parede intestinal, tais como úlceras e apertos (estenoses).

A TAC e ressonância magnética são úteis no diagnóstico de complicações, particularmente, fístulas e abcessos.

A cápsula endoscópica, usada com alguns cuidados, poderá também ser útil.



Doença de Crohn: quais são as complicações?

A complicação mais frequente é a oclusão intestinal. A dificuldade na progressão do conteúdo intestinal é consequência do espessamento da parede intestinal provocado pela inflamação.

As úlceras, quando profundas, podem atingir toda a espessura da parede intestinal e estabelecer uma comunicação em túnel (fístula) com segmentos adjacentes do intestino ou com outros órgãos vizinhos (bexiga, vagina, pele).

Estas fístulas originam por vezes a formação de áreas infectadas com pus (abcessos). Estas complicações surgem por vezes na vizinhança do ânus.

A doença de Crohn é uma doença sistémica, pelo que podem ocorrer complicações extra-intestinais, nomeadamente nas articulações, pele, boca, olhos, fígado e canais biliares.

A formação de cálculos renais e biliares é, também, frequente. O risco de malignidade não é significativo na maioria dos doentes.

Na generalidade das mulheres a gravidez decorre sem complicações. No entanto, recomenda-se que a concepção ocorra em fase de remissão clínica.



Doença de Crohn: a dieta é importante?

A maioria dos doentes pode e deve fazer uma alimentação normal, portanto, sem restrições dietéticas.

Na doença activa, uma dieta com pouca fibra pode ser benéfica no controlo da diarreia e da dor abdominal.

Alguns doentes devem evitar o leite, uma vez que, não conseguem digerir correctamente o açúcar presente no leite (lactose), porque lhes falta no intestino delgado uma enzima específica.

Uma dieta com poucos resíduos ou mesmo líquida, pode ser, temporariamente, necessária nos doentes com estreitamentos no intestino delgado.

Nos doentes com má-absorção pode ser necessário administrar vitaminas e sais minerais.

A vitamina B12 é absorvida no íleo terminal, pelo que é necessário a sua administração, por via intramuscular, nos doentes com ileíte ou submetidos a ressecção cirúrgica.



Doença de Crohn: qual é a terapêutica?

Os principais medicamentos usados para reduzir a inflamação são a mesalazina e os corticosteróides (prednisolona, budesonida).

Os corticosteróides são utilizados na fase aguda quando os sintomas são mais severos.

Nas formas refractárias ao tratamento e na doença complicada com fístulas utilizam-se medicamentos imunossupressores (azatioprina, metotrexato) e terapêuticas biológicas (infliximab).

Os antibióticos (metronidazol e ciprofloxacina) são úteis no tratamento das complicações perianais.



Doença de Crohn: quando é necessária a cirurgia?

A cirurgia é necessária quando o tratamento médico é incapaz de controlar os sintomas ou quando há uma complicação (obstrução intestinal, perfuração, abcesso ou hemorragia).

O tratamento cirúrgico não cura a doença, mas melhora a qualidade de vida, na maioria dos doentes.

Os procedimentos mais frequentes são a drenagem de abcesso ou remoção (ressecção) do segmento de intestino doente com ligação dos topos de secção (anastomose).

A terapêutica médica pode atrasar o reaparecimento da doença. Verifica-se uma maior tendência de recorrência nos fumadores, pelo que os doentes com doença de Crohn devem parar de fumar.

(A responsabilidade científica desta informação é da
Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia)


7 comentários:

Ana Luar disse...

O saber não ocupa lugar... E o melhor é estarmos por dentro de tudo o que pudermos assimilar. É muito mais fácil lidar com as situações se tivermos algum conhecimento.

Gosto de vaguear por aqui...

Thaynara disse...

Adorei seu blog!

Parabéns e continue assim, a internet precisa de pessoas como você.

Abraço!

Anónimo disse...

Obrigado pela informação. O meu pai sofre de Crown ja alguns anos e as crises arrasam-no,não sabia que a doença era ereditaria, agora sei algumas das medidas a tomar para prevenir. Parabens e continue.

Eden disse...

gostei mto dessa irmormacão, minha filha está com suspeita dessa doenca e eu nunca antes havia ouvido falar nela, obrigada.

Anónimo disse...

seu blog é muito informativo , meu irmao possui esta doença e realmente ele é deveras incapacitante, por ser muito ativo a doença o deixa muito deprimido . se puder me relatar hospitais , alguns centros de apoios psicologicos ou ate reunioes sobre o caso agradeço renato.1967@hotmail.com

Anónimo disse...

Olá, minha mãe e minha irmã sofrem com a doença.Minha mãe já teve abcesso e fístulas , e teve q fazer drenagem, e minha irmã teve estreitamento[estenose]e fez cirurgia.Só corrigindo a colega acima, a doença não se previne, infelizmente.Não há nenhuma medida a ser tomada q previne a doença, nem alimentação, nem estres, nem qualidade de vida.Todos estamos sujeitos a essa enfermidade.Realmente a qualidade de vida cai absurdamente.Minha mãe está tentando se aposentar devido a doença, mas está dificil,pois não é muito comum se aposentar por Crohn,mas não é impossível. Minhã mãe já tem 56 anos, e minha irmã 33.

Mateus disse...

Muito bom saber isso, eu sofro dessa doença e, é sempre bom aprender um pouco mais. Sofro essa doença desde que eu nasci. E agora estou com 13 anos. Parabéns pelo blog!