sexta-feira, Novembro 25, 2005

Antibióticos




Antibióticos: use-os de forma adequada

O número de bactérias resistentes aos antibióticos tem vindo a crescer significativamente. Infecções que há alguns anos eram facilmente combatidas, amanhã poderão ser causa de morte.

Tudo devido ao mau uso que temos dado aos antibióticos e que está a permitir que as bactérias “aprendam” a tornar-se resistentes. A manter-se esta tendência, isto significa que a prazo ficaremos sem armas terapêuticas para combatermos as infecções bacterianas.

Entre a população portuguesa ainda é baixo o conhecimento, não só sobre o uso correcto dos antibióticos, mas também quais os riscos resultantes da sua utilização incorrecta.

A grande maioria não sabe que, pelo facto de se auto-medicar - tomando antibióticos em situações indevidas, e por não os administrar correctamente - cumprindo as recomendações e horários das tomas e duração dos tratamentos, está a colocar em risco a sua possibilidade de tratamento no futuro.

De entre 26 países europeus, Portugal ocupa a quarta posição no que respeita ao consumo global de antibióticos em ambulatório, subindo para o segundo lugar no caso específico do consumo das quinolonas (um grupo de antibióticos de largo espectro).

O crescente desenvolvimento de resistências bacterianas aos antibióticos, utilizados quer em ambulatório, quer em meio hospitalar, é um problema de saúde pública. E está a preocupar as autoridades de saúde mundiais, e a comunidade médico-científica, pelo seu impacto actual e futuro na procura de alternativas terapêuticas para os doentes.

Estudo sobre o uso de antibióticos em Portugal

Neste contexto, os Laboratórios Pfizer decidiram realizar um estudo sobre o uso de antibióticos em Portugal, realizado antes e depois da primeira fase da Campanha dos Antibióticos por uma entidade independente (Metris GFK).

Este estudo, destinado a testar o conhecimento e os hábitos de uso de antibióticos entre os portugueses, foi realizado também junto dos médicos de forma a caracterizar a pressão feita pelos doentes para a prescrição.

Apesar de se verificar uma melhoria do conhecimento sobre o uso correcto dos antibióticos, pode concluir-se do estudo que a alteração efectiva dos comportamentos é mais difícil de se atingir.

Depois da primeira fase da campanha, 43% dos inquiridos ignora as situações em que o uso de antibióticos é inadequado, e 22% é da opinião de que deve tomar antibióticos para combater uma gripe.

Já no âmbito da consciência sobre o impacto ambiental/ecológico, um em cada três entrevistados confessa que deita no lixo as embalagens de antibióticos inacabadas, sendo que apenas 37% afirmam entregar estas embalagens na farmácia.

Entre os comportamentos que é necessário mudar, destacam-se a utilização dos antibióticos em infecções virais e o incumprimento do regime terapêutico prescrito, designadamente quanto aos horários e duração do tratamento.

Campanha para mudar comportamentos

Os Laboratórios Pfizer, conscientes da dimensão deste problema no país, desenvolveram e implementaram uma campanha de educação, informação e sensibilização públicas para o uso correcto dos antibióticos.

Realizada em parceria com o Ministério da Saúde (com intervenção do INFARMED e da Direcção Geral da Saúde), a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos, foi lançada agora a segunda fase da campanha “Antibióticos: Use-os de forma adequada”, destinada a alterar comportamentos.

Tendo como público-alvo a população em geral, os médicos e os farmacêuticos, o mote desta campanha é “Nem sempre os antibióticos são o melhor remédio”.

Depois da primeira fase da campanha, realizada em Novembro de 2004, e destinada a alertar a população para o problema, o objectivo agora é o de promover o seu uso correcto, desencorajando a automedicação prevenindo a contaminação ambiental, e assim, contribuindo para a redução do desenvolvimento de resistências bacterianas antimicrobianas.

Porque o conhecimento se altera mais rapidamente do que o comportamento, esta campanha vai abranger um período de 3 anos, e ocorrerá anualmente durante os meses de Inverno.

Como suportes de divulgação, estão a ser publicados anúncios nos media generalistas – imprensa e rádio -, nos media especializados da área da saúde, na rede Multibanco e no website www.antibioticos.com.pt.

Paralelamente, e de forma a integrar a participação activa dos profissionais de saúde e privilegiando a relação médico/doente e farmacêutico/doente, existem suportes de informação impressa nos Centros de Saúde e nas Farmácias de todo o país.






Antibióticos em acção

O que é um antibiótico?

Um antibiótico é toda a substância que interfere com a capacidade de as bactérias funcionarem normalmente (lembre-se, as bactérias são organismos vivos). Pode inibir o seu crescimento (antibiótico bacteriostático) ou matar as bactérias (antibiótico bactericida).

Os antibióticos são usados para tratar infecções bacterianas, que variam desde doenças quase mortais, como a meningite, a problemas comuns como o acne e a amigdalite. Os antibióticos não servem para curar doenças causadas por vírus, tais como constipações ou gripe.

História dos antibióticos

A penicilina, o primeiro antibiótico, foi descoberto em 1928 por Alexander Fleming em Londres, Inglaterra.

Fleming fez a sua descoberta quando observou que as bactérias não conseguiam sobreviver num prato de cultura contendo um bolor frequentemente encontrado no pão.

Os cientistas passaram os anos seguintes a desenvolver o método para purificar a penicilina a partir deste bolor. No início da década de 40, a penicilina encontrava-se já disponível em larga escala. Pouco tempo depois, foram descobertos outros antibióticos.

A descoberta da penicilina foi considerada um milagre médico porque ajudou a erradicar muitas das doenças causadas por bactérias.

Isto significava que doenças mortais, tais como a tuberculose, a pneumonia, a sífilis e o tétano podiam agora ser tratadas. No entanto, com o tempo, as bactérias começaram a tornar-se resistentes aos antibióticos.

Como funcionam os antibióticos?

Diferentes antibióticos têm diferentes maneiras de combater as bactérias.

Podem, por exemplo:
Mudar a estrutura da parede celular das bactérias – As bactérias rompem-se, literalmente, devido à penetração de líquidos através da parede celular.
Exemplos: penicilina (e seus derivados – ampicilina e cloxacilina), cefalosporinas (ex.: cefoxitina), vancomicina.


Interferir na produção de proteínas – As proteínas são necessárias para assegurar o fabrico de novas bactérias para substituir bactérias que estão velhas e a morrer.
Alguns antibióticos interferem com a capacidade de as bactérias produzirem proteínas que são usadas para construir partes importantes da célula.
Exemplos: tetraciclinas, aminoglicosidos (ex.: gentamicina, tobramicina), macrólidos (ex.: azitromicina, eritromicina, claritromicina).


Interferir na síntese do ADN – Estes antibióticos interferem na produção de novos cromossomas, a informação genética da célula.
Exemplos: quinolonas (ciprofloxacina).






Resistência aos antibióticos

O que é a resistência aos antibióticos?

Quando as bactérias desenvolvem a capacidade de se defender do efeito de um antibiótico, diz-se que adquiriram resistência aos antibióticos.

Ao longo dos anos, as bactérias patogénicas – as bactérias que causam doenças – tornaram-se resistentes a muitos antibióticos convencionais devido ao abuso ou uso incorrecto dos mesmos.

Mitos comuns e realidade

Mito: Posso parar de tomar o meu antibiótico assim que começar a sentir-me melhor.
Realidade: Mesmo que se sinta melhor, precisa de continuar a tomar o antibiótico exactamente como o seu médico receitou.
Se não terminar o antibiótico, algumas das bactérias perigosas podem não morrer, pelo que pode voltar a ficar doente. As bactérias que estão ainda vivas poderão também tornar-se resistentes e fazer com que a infecção que tem se torne mais difícil de tratar.

Mito: Desde que tome a dose certa, posso tomar o antibiótico a qualquer hora do dia.
Realidade: Os antibióticos não são tão eficazes se não forem tomados a horas.
Como os medicamentos permanecem no organismo durante um certo período de tempo, deve tomar cada dose de acordo com as instruções do seu médico e farmacêutico.
Tomar antibióticos de forma irregular, permite que as bactérias se adaptem e se multipliquem, aumentando o problema da resistência aos antibióticos.

Mito: Posso guardar o resto do antibiótico para tomar na próxima vez que adoecer.
Realidade: Nunca deve tomar o resto de antibióticos guardados, quer sejam de outra pessoa ou seus.
Antibióticos específicos são eficazes no combate a bactérias específicas e é errado supor que o antibiótico de outra pessoa (ou algum dos seus antibióticos que guardou de outras doenças) funcionarão.
Os antibióticos devem ser sempre tomados até ao fim, excepto quando o médico der instruções para parar. Qualquer resto de medicamento deve ser devolvido à sua farmácia.

Mito: Os antibióticos ajudam a curar constipações e gripes.
Realidade: Constipações e gripes – e os sintomas que as acompanham, tais como a dor de garganta, dores, arrepios, nariz congestionado, olhos inflamados, e tosse seca – são causados por vírus.
Infecções causadas por vírus não respondem a antibióticos. Os antibióticos só ajudam se a doença for causada por uma infecção bacteriana.

Mito: Eu tornei-me resistente aos antibióticos.
Realidade: Na realidade, são as bactérias que desenvolvem resistência aos antibióticos, não as pessoas.
Quando as bactérias se tornam resistentes, o antibiótico já não é eficaz a inibir ou matar bactérias.
Algumas pessoas acreditam que não irão desenvolver resistência porque tomaram sempre os antibióticos conforme receitado ou porque nunca tiveram que tomar antibióticos. Isto é um equívoco muito grave, porque qualquer pessoa pode ser infectada por bactérias resistentes aos antibióticos.





Reduzindo o problema da resistência aos antibióticos

Resistência aos antibióticos – porque nos devemos preocupar?

Uma das formas das bactérias desenvolverem resistência aos antibióticos é através de alterações nos seus genes que modificam o alvo específico onde o antibiótico se liga.

Estas alterações levam a que estas bactérias deixem de ser reconhecidas por esse antibiótico específico.

Outra forma de desenvolver resistência, é a capacidade que as bactérias vão adquirindo de bombear o antibiótico para fora da célula bacteriana (dela própria).

Os especialistas em doenças infecciosas dizem que as taxas de resistência podem ser utilizadas a nível local para ajudar os médicos a decidir que antibióticos devem ser receitados.

Por exemplo, se residir numa área de baixa resistência a um determinado antibiótico, o seu médico provavelmente irá decidir que é seguro receitar esse antibiótico.

Se residir numa área com uma taxa de resistência elevada a um determinado antibiótico, então o seu médico irá provavelmente escolher um antibiótico diferente, de modo que as taxas da resistência não aumentem ainda mais.

Mas o seu médico precisa da sua ajuda. Lembre-se de seguir com cuidado as instruções quando tomar antibióticos porque você pode exercer um papel importante ajudando a reduzir a resistência aos antibióticos.

Antibióticos – Utilização prudente

Precisa mesmo de um antibiótico?

Os sintomas da constipação e gripe, incluindo o nariz congestionado, olhos inflamados, tosse seca, dor de garganta, arrepios e dores, são causados por vírus, que não respondem ao tratamento com antibiótico.

Tomar antibióticos para a constipação ou gripe pode aumentar o problema da resistência aos antibióticos.

Quando deve tomar o antibiótico?

Deve tomar o antibiótico à mesma hora todos os dias, de acordo com as instruções do seu médico e farmacêutico.

Os medicamentos permanecem no seu organismo durante um certo período de tempo, o que significa que a toma irregular do antibiótico irá permitir que as bactérias se adaptem e se multipliquem, aumentando o problema da resistência aos antibióticos.

Tome o antibiótico ao mesmo tempo que uma outra actividade diária regular, como as refeições, para o ajudar a manter o horário certo. Afixar um aviso no seu frigorífico ou programar um aviso no seu computador também pode ser útil.

Deve tomar o antibiótico até ao fim?

Pode começar a sentir-se melhor alguns dias após ter começado o antibiótico. Não pare de o tomar e não conserve o restante para a próxima vez em que não se sentir bem.

Deve tomar o medicamento durante o tempo que o seu médico aconselhou, de modo a matar completamente as bactérias.

De outra forma, algumas das bactérias perigosas podem não morrer e assim pode voltar a adoecer. As bactérias que sobrevivem depois dum tratamento incompleto podem tornar-se resistentes e fazer com que a infecção que tem se torne mais difícil de tratar.

Que deve fazer se não melhorar com o antibiótico?

Pergunte ao seu médico o que deve fazer se não se sentir melhor após alguns dias a tomar o antibiótico que lhe foi receitado.

Se o seu médico receitar um antibiótico, é muito importante que:
Siga as instruções
Tome o antibiótico a horas
Tome o antibiótico durante o tempo que o seu médico aconselhou, mesmo que se sinta melhor após alguns dias de tratamento
Nunca tome os antibióticos de outra pessoa
Estas linhas de orientação são importantes porque quando os antibióticos não são usados correctamente, as bactérias fracas são mortas, mas as mais fortes, as mais resistentes, sobrevivem e multiplicam-se.

Estas bactérias resistentes podem causar infecções que são muito difíceis de tratar, o que significa que os antibióticos podem não ser tão eficazes quando são mesmo necessários.

2 comentários:

Isabel-F. disse...

Oi Lumife,

Mais um belo Post, com informação bem importante.

Bfds

Bjs

TMara disse...

mtº pedagógico, como tudo k aqui tens postto e, para lá de informafivo formativo. Bj de luz e bom f.s